terça-feira, 30 de junho de 2026

Branqueamento do Forró...

 

         Esta semana, vendo vídeos no youtube, percebi como é nítido e brutal o branqueamento da música popular brasileira. A maioria dos cantores, cantoras e grupos musicais está “embranquecida” para satisfazer os gostos do mercado brasileiro. Não são poucos os artistas de pagode, do forró, do sertanejo e do axé que tentam esconder ou mesmo apagar os traços étnicos originais de suas raízes negras, pardas e indígenas. O fenômeno não é novo, nem brasileiro. Elvis, Joplin, Morrison, Eminem, Matysiahu e SOJA são paradigmas de branqueamento replicados e adotados pelos mercados fonográficos e televisivos de todo o mundo.

    Vejamos o caso do nosso Forró. Entre as décadas de 1940 e 1950, o baião invadiu o mercado fonográfico brasileiro com artistas negros e pardos: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Ary Lobo, João Do Vale, Trio Nordestino, Três do Nordeste, Dominguinhos, Guadalupe, Almira, etc. Com o surgimento da Jovem Guarda, o baião e outros ritmos brasileiros passaram a ser vistos como coisas ultrapassadas, rurais e velhas. A partir dos anos 1990, a lógica do mercado predominou sobre a lógica da qualidade. 

        A grande mídia passou a definir determinados padrões étnicos e estéticos camuflando novas práticas de eugenia: procedimentos estéticos e métodos de branqueamento disfarçados de livre arbítrio e liberdade corporal.  Mesmo com o surgimento de novas artistas nordestinos negros e pardos como Socorro Lira, Cátia de França, Chico César, Maestrinho e Sandra Belê, o branqueamento do forró parece gradual, rápido e constante. Aqueles que não ostentam o “capitalismo estético", de traços embranquecidos, paisagens de instagram distantes da realidade brasileira, no hedonismo destrutivo e autoritário são invisibilizados. 

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