domingo, 28 de junho de 2026

Domingos Passos, o Zumbi operário!

Domingos Passos – A Manhã (02/1927)

Domingos Passos foi um anarquista afro-indígena nascido no Brasil e ativo, principalmente, no Rio de Janeiro durante a década de 1920. Ele foi um operário da construção civil e se destacou como habilidoso orador e palestrante anarquista. Passos foi um dos anarquistas mais perseguidos pelas autoridades do país. Foi preso dezenas de vezes. Sofreu diversas torturas e perseguições das autoridades do Rio e de São Paulo. 

Além das autoridades e militares, Passos combateu a influência das ideias comunistas soviéticas nos sindicatos operários. Por causa desse duplo enfrentamento, o anarquista atraiu o ódio tanto da esquerda (soviética) como da direita. O libertário negro também fez parte de grupos teatrais operários e anticlericais. Ele ainda escreveu alguns artigos para jornais operários do país: A Plebe; Spartacus; O Syndicalista etc. Os artigos relatavam perseguições e violências policiais, mas também faziam propaganda do comunismo libertário.

Durante os brutais anos do governo Arthur Bernardes (1922-1926), os anarquistas foram perseguidos, presos e exilados. Libertários estrangeiros foram expulsos do Brasil. Já os anarquistas brasileiros foram capturados e enviados para regiões remotas do país, como o Oiapoque. A Colônia Penal de Clevelândia, no território do Oiapoque, extremo norte do país, foi uma das mais mortais prisões que o Brasil já teve.

 Sobreviventes de Clevelândia afirmaram que 40% dos apenados enviados para Clevelândia morreram. Ou seja, em pouco mais de 2 anos de funcionamento quase 500 pessoas morreram de fome, doenças desconhecidas e maus-tratos. A título de comparação, nos 21 anos de Ditadura Militar (1964-1985), cerca de 400 pessoas foram assassinadas ou desapareceram.

Domingos Passos foi um dos enviados para o "inferno verde". Lá sofreu todo tipo de privações, violências e enfermidades. Testemunhou seus colegas libertários definhando e morrendo. Passos foi um dos únicos libertários a escapar do local por dentro da mata densa. Ele conseguiu se refugiar na Guiana Francesa. Em Caiena, ele pediu auxílio às autoridades consulares brasileiras, mas foi ignorado.  De Guiana foi para Belém do Pará. Retornou para o Rio de Janeiro meses depois num navio lotado de ex-prisioneiros de Clevelândia.

No Rio de Janeiro, o incansável libertário retomou a luta sindical libertária. Na mesma proporção, as autoridades policiais continuaram a persegui-lo. Domingos Passos foi preso novamente. Desta vez, ele foi enviado para as matas de Sengés, no Paraná. Daí, Domingos conseguiu manter os últimos contatos com antigos companheiros. Em 1929, Passos deixou de se comunicar. Alguns libertários afirmaram que Domingos Passos desistiu da luta para manter-se vivo. Outros falaram que o libertário havia sido morto pela polícia. Outros afirmaram que o libertário se mudou para um lugar distante. O que importa é que a luta e o legado de Domingos Passos permanecem vivos!


 

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