O Agosto Negro é um evento de resistência, valorização a história negra, a memória e combate ao racismo que ocorre em Campina Grande PB, organizado pelo Movimento Negro de Campina Grande. É um evento organizado há 15 anos. Portanto, há tempos já tem cravada sua bandeira dentre os eventos culturais e sociais da cidade.
Breve Histórico de Resistência em CG.
A cidade de Campina Grande têm histórias de resistências negras e indígenas ainda que certos monumentos da cidade insistam homenagear bandeirantes genocidas e outros "heróis sanguinários".
A Revolta do Quebra-Quilos (1874) foi um dos exemplos mais fortes de resistência popular, negra e indígena ocorridos no Nordeste. As camadas mais pobres da cidade se rebelaram contra o autoritarismo cultural e político da colônia. De certa forma, a Revolta foi pioneira de certas pautas decoloniais/contracoloniais por se opor a imposição de um saber colonizador e eurocêntrico. Quilombolas, caboclos, negros e indígenas participaram da revolta. O mais conhecido foi João Cargas D'Água, mas ele não foi o único. Os quilombolas Firmino, Benedito e Manoel do Carmo lideraram contingentes de homens negros sublevados. Caboclos descendentes de antigos povos originários também participaram da revolta.
No século 20, podemos citar dois expoentes negros no campo das artes: Cassiano e Arnaldo Xavier. Genival Cassiano nasceu em Campina Grande, na década de 1940, mas logo se mudou para o Rio de Janeiro. Cassiano participou de grupos musicais, mas foi através do Soul Brasileiro, que Cassiano virou ídolo da música negra brasileira e fonte de empoderamento negro para artistas como Racionais, Tim Maia e outros. Já Arnaldo Xavier (1948-2004) foi um poeta, dramaturgo e escritor campinense. mudou-se para São Paulo nos anos 1970. Começou a carreira de escritor ainda nos anos 1960. Nos anos 80, realizou eventos com escritores negros brasileiros e poesias em antologias nacionais e internacionais.
O Movimento Negro de Campina Grande surgiu em 1986, a partir do Primeiro Encontro Afro-Brasileiro Campinense. O MNCG foi responsável por realizar palestras, cursos, debates, passeatas contra o genocídio dos negros, o racismo e a valorização da cultura negra. De acordo com o historiador Ariosvalber de Souza, entre 1986 e 2013 atual em duas conjunturas históricas: a primeira (1986-2002) volta-se para um momento no qual não havia um respaldo jurídico nacional mais efetivo em torno de uma educação para as relações étnico-raciais no ensino básico. O segundo (2003-2013), trata-se de um período no qual os indicativos da Lei 10.639/2003, determinando o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, já se encontravam localizados; logo, almeja-se refletir sobre os impactos desse dispositivo legal nas lutas e atuações dos militantes negros campinenses.
LIMA, Luciano Mendonça. DERRAMANDO SUSTO: OS ESCRAVOS E O QUEBRA-QUILOS EM CAMPINA GRANDE.
OLIVEIRA, Ariosvalber de Souza NAS ENCRUZILHADAS DA CONSCIÊNCIA NEGRA: O MOVIMENTO NEGRO DE CAMPINA GRANDE – PB NAS LUTAS POR E NA EDUCAÇÃO (1986-2013) . João Pessoa- UFPB - 2025.

Nenhum comentário:
Postar um comentário