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Carlos Junior (*)
Armando Gomes (1888-1944) foi um ferroviário negro de orientação anarquista sindicalista que se destacou na cidade de Campinas-SP. Armando Gomes também foi escritor e artista plástico. O libertário foi casado com Idalina de Jesus. Seu filho Fausto Pires de Camargo trabalhou nos carnavais da cidade.
Armando foi um ativista libertário que combatia em duas frentes: uma frente em defesa da classe operária; e outra em defesa dos homens de cor. O libertário negro também foi um grande defensor das religiões e artes africanas.
Em 1901, aos 14 anos fundou a Sociedade Dançante Familiar União da Juventude, conhecida como “União da Juventude”, associação que defendia a livre manifestação da cultura afro-brasileira, como a congada, o jongo, os sambas, o candomblé e a umbanda.
Na sede da União da Juventude a capoeira era praticada livre da repressão policial. A Sociedade Dançante Familiar também cedeu espaço para apresentação de danças norte-americanas como Reg Time, o Blues e o Jazz. Armando Gomes também fez parte da Sociedade Humanitária Operária.
Assim como outros anarquistas da época, Armando Gomes era adepto do Espiritismo, fato que o aproximava das religiões afrobrasileiras. Junto a outros homens negros, Gomes fundou a Liga Humanitária dos Homens de Cor, em novembro de 1915, de caráter mutualista, na cidade de Campinas. Além desta Liga, o libertário também fundou a Liga dos Operários de Bairro, na década de 1910. Armando Gomes participou do 3º Congresso Operário no Rio de Janeiro.
Em 1917, a Greve Geral iniciada em São Paulo chegou a Campinas. Vários operários, especialmente os operários ferroviários, entraram em greve por conta da prisão de Ângelo Soave, líder sindical anarquista. Dezenas de operários se concentraram em frente a um local chamado Porteira do Capivara. A repressão policial não tardou e foi extremamente brutal. Houve confronto e cerca de dezesseis operários saíram feridos, incluindo Armando Gomes. Três operários que estavam no local morreram: Antônio Rodrigues Magotto, Pedro Alves e Tito de Carvalho. Os três operários foram enterrados no Cemitério da Saudade.
Com Armando Gomes internado sob custódia dos agentes de segurança, dois irmãos de Armando, José Gomes e Walter Gomes, continuaram a organizar as movimentações operárias. Após sair do hospital, Armando Gomes foi preso. Em 1920, durante a Greve da Mogiana, Armando foi preso novamente por organizar outras agitações operárias.
REFERÊNCIAS:
NOMELINI, Paula Christina Bin. “Mutualismo em Campinas no início do século XX:
possibilidades para o estudo dos trabalhadores”. Disponível em:
“https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/viewFile/1984-
9222.2010v2n4p143/17218”.
DULLES, John W. F. Anarquistas e comunistas no Brasil (1900-1935). Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2ª ed., 1977.
Pró – Memória Negra de Campinas : Armando Gomes- O Rei da União. Disponível
em: Pró – Memória Negra de Campinas: Armando Gomes ” O Rei da União”
(promemorianegradecampinas.blogspot.com)
(*)Autor:
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela
UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e
Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde
2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também
escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA
BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE
AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
BLOG PLUMA NEGRA: https://plumahnegra.blogspot.co

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