terça-feira, 7 de julho de 2026

IMYRA, TAYRA, IPY (1976) – TAIGUARA (1945-1996)

            O álbum Imyra, Tayra, Ipy (1976) foi o 11º da carreira de Taiguara Chalar da Silva (1945-1996), cantor afro-indígena de dupla nacionalidade: uruguaia e brasileira. Ele era filho do músico bandeonista negro Ubirajara Silva e de uma cantora lírica uruguaia de ascendência charrua. 

         O disco é considerado a obra-prima do cantor, tanto pelo conteúdo lírico como pelo conteúdo musical. O álbum contém faixas instrumentais e cantadas em português e espanhol. Há uma rica mescla de ritmos: jazz, flamengo, samba. Além disso, Taiguara faz referências e tributos a sua dupla ascendência africana e indígena. As melodias, os instrumentos, as harmonias soam além do convencional. Erudito, mas também popular. Traz uma sonoridade terceiro-mundista lírica e revolucionária. 

            O álbum contou com a participação de mais de 80 músicos, dentre eles estavam: Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, entre outros. Taiguara se utilizou de diversas alegorias, metáforas e referências políticas para criticar a Ditadura Militar então vigente no país. O Brasil é chamado de Terra das Palmeiras. 19 “Sonhada terra das palmeiras, onde anda o teu sabiá? A minha amada amordaçada, de amor forçado a se calar!” Taiguara também faz uma analogia entre a cidade basca de Guernica, atacada pelo nazifascismo, e a América Latina dominada por brutais regimes militares. A canção se chama Como em Guernica e é um flamengo: “Madre y Abuela Vasconia, mi nombre indígena es rojo, mi lengua es blanca y mi canto es negro!” e “ Ay Hermana! Hasta que esse dia llegue tu no te canses, no mueras sin calar todas las represiones!” 

             Apesar das tentativas de burlar a crítica, todas as canções do álbum foram censuradas e recolhidas do mercado 3 dias após o lançamento do disco. Deprimido e enfurecido com o feito, Taiguara se mudou para a Tanzânia, só retornando ao Brasil nos anos de 1980. Taiguara foi um dos compositores brasileiros mais engajados e coerentes do Brasil. Não fez concessões que fossem de encontro às suas firmes convicções políticas. Fez jus ao seu nome: Taiguara, homem livre, senhor de si mesmo!

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