"Na verdade, o seu interesse pela política e pelas coisas de sua terra começou bem cedo, ainda na escola primária, e teve um inspirador nativo: o índio Poty, herói da luta contra os invasores holandeses:
- 'À medida em que eu fui compreendendo e tendo lições sobre a descoberta do Brasil, ouvindo as histórias dos índios potiguares que habitavam as margens do rio Potengi, exatamente no lugar onde nasci, vendo com meus próprios olhos os vestígios de sua civilização, minha cabeça passou a trabalhar em cima dessas informações. Cada vez que ouvia falar das aventuras do índio Poty aumentava meu espírito de nacionalismo e de amor pelo lugar onde nasci. Poty, sem dúvida, foi o meu primeiro herói e um dos principais responsáveis pelo meu interesse pela política' – relembra Praxedes."
"Foi quando cursava a Escola Técnica que as primeiras notícias da Revolução Russa de 1917 chegam ao Brasil, ainda de forma discreta, tímida, dissimulada. Mesmo assim, Praxedes consegue captar nas entrelinhas dos jornais o verdadeiro significado histórico daquele acontecimento e isso provoca outra transformação importante em sua cabeça."
“Eu já tinha aquela coisa do Poty e do Frei Miguelin, herói da Revolução de 1817, a Confederação do Equador na cabeça e quando comecei a ler sobre a Revolução Russa fiquei ainda mais animado. Consegui entender o que estava acontecendo por lá e, então, passei a pregar entre os colegas da escola a defesa da Revolução Russa, a necessidade dos operários se organizar também aqui no Brasil para conquistar o poder. Foi uma coisa espontânea, que surgiu naturalmente dentro de mim. Ninguém me falou nada, me ensinou nada. Apenas lia as notícias nos jornais e ficava entusiasmado. Era como se o índio Poty estivesse no meio daquele movimento”
"As notícias sobre a Revolução Russa chegavam a Natal através de poucas linhas publicadas no jornal A República, o jornal oficial do Rio Grande do Norte. “O jornal dizia que os anarquistas tinham usurpado o poder na Rússia e quando lia isso ficava danado porque achava que eles tinham tomado o que era deles mesmo” – conta Praxedes."
“Comecei a achar que aquilo estava certo e que nós poderíamos tentar fazer o mesmo no Brasil. Até aí não tinha lido nada sobre marxismo. O que eu sabia era coisa da minha cabeça mesmo, coisa que eu sentia dentro de mim. Nessa época só havia lido “A Bíblia” e os livros escolares. Mais nada. O meu entusiasmo pela Revolução Russa foi totalmente espontâneo”.

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