terça-feira, 7 de julho de 2026

PRINCESA - Fernanda Farias de Albuquerque

 


Fernanda de Albuquerque foi uma transexual brasileira nascida em 1963 na cidade de Alagoa Grande-PB. De família bastante humilde, sofreu com diversas privações econômicas. Aos 7 anos de idade sofreu violências sexuais. Fugiu de casa. Passou por várias cidades. Nos anos 1980, Fernanda se mudou para Campina Grande PB. Depois para João Pessoa-PB. 

Aos 18 anos, Fernanda começou a se prostituir. Se mudou para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo. Nos anos de 1980, Fernanda foi viver na Europa. Primeiro foi para Portugal e Espanha. Por último, ela foi para Itália. Neste país, Fernanda viveu em várias cidades. Passou a adotar o nome de Princesa. 

Nas avenidas das cidades italianas, Princesa se tornou dependente de heroína. Foi presa após esfaquear um homem. Na prisão de Rebibia, conheceu militantes comunistas presos por ações terroristas na Itália. Princesa foi convencida de escrever a sua história de vida para Maurizio Janelli, guerrilheiro das Brigadas Vermelhas, condenado a duas prisões perpétuas. Em 1994 a autobiografia Princesa foi lançada na Itália. 

Em 1997, o documentário Le Strade di Princesa traz a própria 1 Fernanda como protagonista. Em 2001, o filme ficção Princesa é lançado na Itália e foi dirigido por um brasileiro. No livro, Princesa conta sua própria odisseia em busca do corpo desejado por ela. O livro traz relatos realistas de violência sexual nas cidades em que viveu: de Campina Grande a Milão. O cantor e compositor italiano Fabrízio Di André abriu o seu último álbum Anima Salve (1996) com o a faixa “Princesa”. Em 2000, após ser expulsa da Itália, Princesa suicidou-se. 

 PRINCESA 

 Sono la pecora sono la vacca 

 Che agli animali si vuol giocare 

 Sono la femmina camicia aperta 

 Piccole tette da succhiare 

 Sotto le ciglia di questi alberi 

 Nel chiaroscuro dove son nato 

 Che l'orizzonte prima del cielo 

 Ero lo sguardo di mia madre "

Che Fernandinho è come una figlia 

 Mi porta a letto caffè e tapioca 

 E a ricordargli che è nato maschio 

 Sarà l'istinto sarà la vita" 

 E io davanti allo specchio grande 

 Mi paro gli occhi con le dita a immaginarmi 

 Tra le gambe una minuscola fica 

 Nel dormiveglia della corriera 

 Lascio l'infanzia contadina 

 Corro all'incanto dei desideri 

 Vado a correggere la fortuna 

 Nella cucina della pensione 

 Mescolo i sogni con gli ormoni 

 Ad albeggiare sarà magia 

 Saranno seni miracolosi

 Perché Fernanda è proprio una figlia 

 Come una figlia vuol far l'amore

 Ma Fernandinho resiste e vomita 

 E si contorce dal dolore 

 E allora il bisturi per seni e fianchi 

 In una vertigine di anestesia 

 Finché il mio corpo mi rassomigli S/

ul lungomare di Bahia 

 Sorriso tenero di verdefoglia 

 Dai suoi capelli sfilo le dita 

 Quando le macchine puntano i fari 

 Sul palcoscenico della mia vita 

Dove tra ingorghi di desideri 

 Alle mie natiche un maschio s'appende 

 Nella mia carne tra le mie labbra 

 Un uomo scivola l'altro si arrende 

 Che Fernandinho mi è morto in grembo 

 Fernanda è una bambola di seta 

 Sono le braci di un'unica stella 

 Che squilla di luce di nome Princesa 

 A un avvocato di Milano 

 Ora Princesa regala il cuore 

 E un passeggiare recidivo 

 Nella penombra di un balcone


  FABRIZIO DE ANDRÉ (1940-1999)

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