O anarquismo é o filho mais rebelde do Iluminismo. Ele é o projeto mais radical fundado nos princípios da Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Sua paixão pela liberdade é inegável e admirável. Foi o anarquismo o que mais se opôs e o que mais se sacrificou na luta contra os fascismos, contra ditaduras e monarquias milenares.
Porém, os
problemas atuais são outros e pedem novas formas de oposição. As estratégias de
poder também mudaram. Novos espectros totalitários surgem a cada dia. As velhas
táticas, metodologias e teses, defendidas pelos anarquismos do século 19 e 20,
não atendem mais os novos cenários.
O
darwinismo social, que não foi criado por Darwin, defendia que só as raças mais
fortes poderiam sobreviver na competição evolucionista. Esta narrativa
científica que legitimou massacres, extermínios de milhares de povos e línguas
originárias na Ásia, América e na África.
Não é raro ler artigos de antigos libertários também defendendo a ideia
de raças e que há um só caminho para a humanidade.
Atualmente,
o anarquismo científico, civilizatório, racista e eurocêntrico segue vivo na
Europa e nos Estados Unidos. O cientificismo dá base ao nacional-anarquismo,
uma tentativa bizarra de conciliar ideias fascistas e libertárias. Por isso, o
anarquismo, que sempre ressaltou a importância de interagir com a realidade,
não pode ficar preso ao passado e alheio ao presente. Muito menos se curvar a
modismos acadêmicos.
Mas nem
tudo são horrores! Nos últimos 10 anos diversos eventos e movimentos vêm
mudando a face do anarquismo. Pautas sobre Diversidade, decolonialismo,
negritude, Queer, veganismo negro, os estudos feministas afro-latinos, Black
Lives Matter, Zapatismo, Rojava, Mapuches, Aimarás, seguem desconstruindo o
anarquismo clássico, tradicional, eurocêntrico e cientificista. Trata-se, por fim, de fontes e pautas férteis
para, quem sabe, o anarquismo se reinventar!
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