quarta-feira, 8 de julho de 2026

BAKUNIN E FANON: SOBRE A VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA!


Tanto Mikhail Bakunin quanto Frantz Fanon defenderam a violência revolucionária como fator positivo e essencial no processo de libertação dos povos e das classes. Assim, tanto um como o outro se distanciavam do pacifismo e da moderação de setores socialistas e comunistas.

Em Carta a um Francês, escrita no período da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), o anarquista russo Mikhail Bakunin (1814-1876) escreveu que o povo da França só poderia ser livre da opressão prussiana através de uma revolução feita pelo próprio povo.  Uma revolução feita de baixo para cima, e não uma revolução feita por um líder carismático ou por um partido de vanguarda. Para Bakunin, uma revolução só seria bem sucedida se fosse espontânea, implacável, destrutiva e mortífera. Este processo revolucionário violento instalaria um caos inicial, que logo seria mudado para um caos criativo e participativo, permitindo a exposição de ideias e interesses diversos. Para Bakunin, uma guerra civil permitiria que o povo se livrasse de sua condição de “cordeiro, condição muito cara a todos os governos, condição que transforma os povos em rebanhos para serem utilizados e tosquiados aos caprichos de seus pastores.”

Em Os Condenados da Terra (1961), o filósofo antirracista e anticolonialista martinicano Frantz Fanon (1925-1961) também defendia a violência como mecanismo eficaz e útil no processo de descolonização da África e na libertação dos povos africanos. Para Fanon, tal processo livraria os povos colonizados de qualquer vestígio colonialista. Isto só seria possível através da violência e da guerra civil. A violência, defendia Fanon, desintoxicaria o colonizado das mazelas colonialistas. O alçaria a condição de senhor de si e de seu lugar. O colonizado ao utilizar métodos violentos para se libertar, estaria pagando na mesma moeda os tantos anos de violência sofrida pelo projeto colonial. Para Fanon, "A violência ilumina, porque aponta para os meios e para os fins, a violência se torna uma força de limpeza, liberta o homem colonizado do seu complexo de inferioridade".

Tanto o filósofo anarquista russo quanto o filósofo antirracista martinicano, portanto, defendiam o uso da violência nos processos revolucionários. Não uma violência “guiada” por partidos ou líderes. Mas uma violência espontânea, implacável, destruidora da velha ordem e edificadora de um novo mundo.

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