A invasão do
Brasil começou do Nordeste em direção ao Leste pelo litoral. Por isso mesmo
foram os índios dessas terras os que mais sofreram. A luta armada mais
conhecida foi travada pela Confederação dos Tamoios, reunindo
vários povos. A mentira dos portugueses e a traição venceram, mas não
subjugaram estes povos. Preferiram a morte à escravidão e hoje existem só na
lembrança, assim, como os povos Tupinambá, Aymoré e Tomiminó.
Por tudo
isso, os índios remanescentes do Nordeste e Leste foram assimilando a cultura
dos colonizadores. Muitos perderam seu próprio idioma, adotaram a alvenaria de
pau-a-pique na construção de suas casas, usam roupas como lavradores e
adotaram, também, esse tipo de atividade econômica. Até mesmo os usos e
costumes ou as danças cultuadas como símbolos da origem indígena sofreram
alterações, em consequência do processo de aculturação, sofrido por quase cinco
séculos, em que enfrentaram portugueses, holandeses. franceses e sertanejos. Enfrentaram também ao longo desse período a
pressão de séculos para que deixassem de ser índios, a catequese das Missões, a
emancipação de Pombal, o desprezo e os preconceitos dos sertanejos e, atual
mente, a sociedade capitalista. Apesar disso estão unidos na mesma convicção:
continuam sendo índios e com um alto grau de solidariedade, fundamentada na
ideia de sua origem, de uma natureza e um destino comum que os distingue como
povo. Daí sua organização e o trabalho
político e cultural que realizam no sentido de resgatar suas tradições,
reafirmar sua própria identidade ét nica e recuperar suas terras. É a luta dos
Potiguara, dos Xoco e outros.
Contra tudo
isso, enfrentam em presas multinacionais interessadas nas suas terras e
riquezas naturais, os fazendeiros e madeireiros locais e até mesmo os
garimpeiros, além dos políticos tradicionais. Nos dias de hoje, as invasões às
terras indígenas por latifundiários, as ameaças constantes às famílias
indígenas por pistoleiros, os grandes projetos de mineração, hidrelétricas,
estradas, madeireiras foram e são os responsáveis nos últimos anos de mortes,
violências e agressões aos povos indígenas. Como no passado, também no presente
as lideranças indígenas resistem com luta a essas invasões às suas terras, às
agressões à mãe natureza, às violências contra sua gente. São os nossos
guerreiros do século 20.
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