quarta-feira, 8 de julho de 2026

HÁ 500 ANOS OS ÍNDIOS DO NORDESTE RESISTEM - Eliane Potiguara

A invasão do Brasil começou do Nordeste em direção ao Leste pelo litoral. Por isso mesmo foram os índios dessas terras os que mais sofreram. A luta armada mais conhecida foi travada pela Confederação dos Tamoios, reunindo vários povos. A mentira dos portugueses e a traição venceram, mas não subjugaram estes povos. Preferiram a morte à escravidão e hoje existem só na lembrança, assim, como os povos Tupinambá, Aymoré e Tomiminó.  

Por tudo isso, os índios remanescentes do Nordeste e Leste foram assimilando a cultura dos colonizadores. Muitos perderam seu próprio idioma, adotaram a alvenaria de pau-a-pique na construção de suas casas, usam roupas como lavradores e adotaram, também, esse tipo de atividade econômica. Até mesmo os usos e costumes ou as danças cultuadas como símbolos da origem indígena sofreram alterações, em consequência do processo de aculturação, sofrido por quase cinco séculos, em que enfrentaram portugueses, holandeses. franceses e sertanejos.  Enfrentaram também ao longo desse período a pressão de séculos para que deixassem de ser índios, a catequese das Missões, a emancipação de Pombal, o desprezo e os preconceitos dos sertanejos e, atual mente, a sociedade capitalista. Apesar disso estão unidos na mesma convicção: continuam sendo índios e com um alto grau de solidariedade, fundamentada na ideia de sua origem, de uma natureza e um destino comum que os distingue como povo.  Daí sua organização e o trabalho político e cultural que realizam no sentido de resgatar suas tradições, reafirmar sua própria identidade ét nica e recuperar suas terras. É a luta dos Potiguara, dos Xoco e outros.

Contra tudo isso, enfrentam em presas multinacionais interessadas nas suas terras e riquezas naturais, os fazendeiros e madeireiros locais e até mesmo os garimpeiros, além dos políticos tradicionais. Nos dias de hoje, as invasões às terras indígenas por latifundiários, as ameaças constantes às famílias indígenas por pistoleiros, os grandes projetos de mineração, hidrelétricas, estradas, madeireiras foram e são os responsáveis nos últimos anos de mortes, violências e agressões aos povos indígenas. Como no passado, também no presente as lideranças indígenas resistem com luta a essas invasões às suas terras, às agressões à mãe natureza, às violências contra sua gente. São os nossos guerreiros do século 20.

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