domingo, 12 de julho de 2026

JOSÉ PRAXEDES: UM POTIGUARA REVOLUCIONÁRIO!

            José Praxedes de Andrade nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, no ano de 1900. Praxedes veio de uma família potiguara. O militante tinha como ídolo máximo, outro potiguara,  Pedro Poty, que lutou ao lado dos holandeses contra os portugueses.


Eu já tinha aquela coisa do Poty e do Frei Miguelin, herói da Revolução de 1817, a Confederação do Equador na cabeça e quando comecei a ler sobre a Revolução Russa fiquei ainda mais animado. Consegui entender o que estava acontecendo por lá e, então, passei a pregar entre os colegas da escola a defesa da Revolução Russa, a necessidade dos operários se organizar também aqui no Brasil para conquistar o poder. Era como se o índio Poty estivesse no meio daquele movimento”

José Praxedes trabalhou como sapateiro e desde os 16 anos militou como socialista e, posteriormente, como comunista. Em 1921, fundou a União dos Sapateiros de Natal. Combateu os sindicalismo pelego em Natal e divulgou o sindicalismo revolucionário. Em 1924, José Praxedes passou a se declarar marxista. 

O jornal dizia que os anarquistas tinham usurpado o poder na Rússia e quando lia isso ficava danado porque achava que eles tinham tomado o que era deles mesmo” – conta Praxedes. “Comecei a achar que aquilo estava certo e que nós poderíamos tentar fazer o mesmo no Brasil. Até aí não tinha lido nada sobre marxismo.

 O revolucionário  participou da Intentona Comunista em 1935, na capital potiguar. Durante a Intentona, Praxedes foi nomeado Comissário do Povo para Negócios de Aprovisionamento e chegou a noticiar a criação de um Governo Popular Revolucionário em praça pública. Sentindo que a derrota do movimento revolucionário se aproximava, José Praxedes fugiu para João Pessoa e depois para o Recife. Ele também viveu em Maceió e em Salvador. Em 1935, o sapateiro foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, mas nunca foi preso. Passou a viver clandestinamente e com nome falso na capital baiana. Mesmo perseguido, Praxedes militou no Partido Comunista até 1964 ano do golpe.

No início do Golpe de 1964, o militante teve a sua casa invadida e revistada. Depois desse evento, José Praxedes foi para o interior da Bahia onde viveu de forma anônima por décadas. Somente em 1984 foi que José Praxedes revelou a sua identidade verdadeira a um jornalista. Nem a sua companheira e nem os seus 7 filhos sabiam do passado revolucionário do sapateiro comunista.Em 1985, o jornalista Moacyr de Oliveira Filho lançou a biografia Praxedes, Um Operário no Poder. 

José Praxedes morreu em 11 de dezembro de 1984.


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