domingo, 6 de setembro de 2026

ASSASSINATOS DE INDÍGENAS - 2006 A 2007

     No ano de 2006 foram registrados 571 assassinatos de in dígenas, em 56 ocorrências. Além de ser o maior núme ro de casos em relação aos 4 anos anteriores, o que torna este dado ainda mais preocupante é o fato de o número con tinuar crescente. Em 2003 foram 42 vítimas; houve redução em 2004, quando foram registrados 37 assassinatos, mas em 2005 foram registradas 43 mortes e, em 2006, o número chegou a 48. O estado do Mato Grosso do Sul continua sendo o local onde se registrou o maior numero de assassinatos de indí genas no Brasil. Foram 272 casos em 2006, dois a menos do que havia sido registrado em 2005. 

             As ocorrências na Bahia também chamam atenção. Nes te estado, houve registro de 5 assassinatos em 2006. Em 2004 e 2005 não houve registros e, em 2003, houve apenas 1 caso registrado no estado. Os assassinatos se concentram no sul da Bahia. A falta de entendimento e respeito entre as comunidades indígenas e não-indígenas gera desavenças. Também crescem as notícias que fazem referência ao tráfico de drogas. Das 56 ocorrências de assassinatos registradas em 2006, 20 foram, ou há suspeita de que tenham sido, prati cadas por indígenas, 11 por não indígenas, 1 caso por indí genas e não indígenas, e em 24 casos os assassinos ainda são desconhecidos. 

             Em 11 casos, o uso de bebida alcoólica esteve no con texto dos assassinatos e em dois casos houve relação com o uso de drogas; um outro caso teve relação com ambos, bebidas e drogas. quanto aos meios utilizados, 12 ocorreram por meio de arma de fogo, 28 por arma branca, como facas, canivetes, facões e em 7 casos foram usados outros instrumentos como pedaços de madeira e ferro. Aconteceram 3 espancamentos e em 6 casos não foi noticiado o meio empregado. Os motivos que levaram aos assassinatos registrados podem ser agrupados da seguinte forma: 18 ocasionados por brigas, sendo que 8 estavam em contexto familiar. Duas destas brigas foram motivadas por vingança. Houve 1 caso atribuído a conflitos internos às comunidades e 2 casos rela cionados a conflitos externos. Destes, um ocorreu por conta da invasão de madeireiros e um por disputa fundiária. Em 31 casos, os motivos são desconhecidos. Em um dos casos, a vítima foi assassinada por denunciar o tráfico de drogas na sua aldeia. 

             Entre as 57 vítimas dos assassinatos registrados em 2006, 34 eram maiores de 18 anos, 4 tinham menos de 18 anos e em 19 casos as idades das vítimas não foram iden tificadas. Em 2007, o número de assassinatos registrados pelo Cimi aumentou assustadoramente e chegou a 923. Este é o maior número de assassinatos já registrado pelo Cimi desde 1988, quando a entidade começou a fazer o levantamento anual. Em comparação com 2006, o número registrado em 2007 e 62% maior. Mato Grosso do Sul, mais uma vez, foi o estado com o maior número de vítimas: 534 indígenas. Ou seja, houve 27 assassinatos a mais do que em 2006, o que significa um crescimento de 99%. Preocupante também é a situação no Maranhão, onde foram registrados 10 assassinatos, e em Pernambuco, onde houve o registro de 7 assassinatos. Em Tocantins, foram registrados 4 assassinatos. 

                Nos demais estados ocorreram um ou dois assassinatos. No Amazonas, na Bahia, em Mi nas Gerais, no Paraná, em Rondônia e em Roraima foram registrados 2 assassinatos. No Ceará, no Espírito Santo, em Mato Grosso, no Rio Grande do Sul e em São Paulo houve o registro de 1 caso por estado. Em 31 casos de assassinato, o motivo do crime não foi identificado. Um grande número de mortes, 36, resultou de brigas, na maioria dos casos entre indígenas. Em 8 destes, as pessoas que brigaram eram da mesma família. Houve 10 assassinatos por vingança. Foram 3 os mortos como resul tado de confrontos entre índios e madeireiros invasores, 4 em contextos de conflitos fundiários e 1 em confronto com não-indigenas durante um ato por melhorias no atendimento a saúde indígena. Como nos anos anteriores, predomina o uso de armas brancas nos assassinatos. Foram 42, os casos cometidos com faca, facão ou foice. Foram 24 os assassinatos em que se usou arma de fogo. Espancamentos, inclusive com o uso de pedaços de madeira, pedras e um pedaço de cimento, ma taram 12 pessoas. quatro indígenas foram estranguladas.

                Em pelo menos 16 casos os acusados estiveram alco olizados no ato. Ou seja, o uso de álcool, é um importante fator facilitador. A situação do povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, continua sendo a mais preocupante. Mais da metade das vítimas de assassinato em 2007 (53 dos casos) perten cia a este povo. É explícito o alto grau de tensão e violência em que vive este povo. Entre eles, há todos os tipos de as sassinato, resultantes de tensões externas e internas. Há casos como o de Julite Lopes (70 anos) que levou um tiro no peito durante a violenta retirada de famílias indígenas da fazenda Madama, no município Amambai, e casos de des conhecidos atacando indígenas enquanto estes estavam em casa ou passando de motocicleta. Há ainda os assassinatos dentro de famílias indígenas e assassinatos em brigas de bar, por pessoas alcoolizadas. 

                Também foram registrados 4 casos de assassinatos que ocorreram em usinas ou em alo jamentos de indígenas que trabalham no corte de cana. Chama atenção também a situação do povo Guajajara, no Maranhão, que continua vivendo conflitos com grupos de madeireiras ilegais. um destes grupos chegou a invadir a aldeia Lagoa Comprida, município de Araribóia, colocan do todos os indígenas no campo de futebol, ameaçando-os e atirando para o alto. Acabaram matando Tomé Guajaja ra, de 60 anos. Em outras ocasiões foram assassinados o cacique Joaquim Guajajara e o cacique da aldeia Nova Providência, Alcebíades Guajaja (65), este último numa emboscada.



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SALVADOR CRUZ

  Salvador Cruz foi um operário nascido em Campos, Rio de Janeiro. Foi anarquista e depois comunista.