domingo, 6 de setembro de 2026

ASSASSINATOS DE INDÍGENAS - 2003 A 2005

     No conjunto das ocorrências, verificam-se perseguições, conflitos externos por causa de terra, perseguição de lideranças, preconceito, discussões e brigas - envolvendo ou não bebidas alcoólicas-, vingança, desavenças familiares e conflitos internos às comunidades. 

            Em 2003 foram registradas 4o ocorrências, envolvendo 42 óbitos. Grande parte dessas ocorrências foi praticada por meio de facas, facões, pauladas, porretes e pedras. Foram 15 assassinatos por facadas, 7 por espancamentos e 10 assassinatos por armas de fogo. A utilização de armas de fogo acontece com mais freqüência quando o assassino não é indígena (capangas, policiais, traficantes). 

        No ano de 2004 foram registradas 33 ocorrências, en volvendo 37 vítimas de assassinatos. Dos casos registrados, 18 crimes foram praticados por meio de facadas, espanca mentos, esquartejamentos e outras lutas corporais; 4 foram por armas de fogo, sendo 3 de autoria não-indígena e um de autoria desconhecida. 

            Em 2005 foram registradas 40 ocorrências com 43 víti mas, sendo 6 por meio de armas de fogo, 17 facadas e 6 espancamentos. Em 2 desses crimes havia sinais de sevícia sexual, e as vítimas eram mulheres. Crimes de autoria desconhecida foram freqüentes no pe ríodo analisado: 20 em 2003, 8 em 2004 e 12 em 2005. Ocorrências sem motivo aparente somam 6 e 3, respectiva mente, além de 11 casos em 2003 e 8 em 2005 sem infor mações a respeito da motivação. A maior parte dos assassinatos ocorreu no estado do Mato Grosso do Sul, 13 em 2003, 16 em 2004 e 28 em 2005, todos eles envolvendo vítimas pertencentes ao povo Guarani-Kaiowá, em diversas modalidades de motivação. Chama a atenção o aumento de assassinatos de auto ria indígena em 2005, envolvendo conflitos familiares, brigas e disputas políticas internas. 

                Como a maior parte ocorreu em Mato Grosso do Sul esses casos revelam o alto grau de tensão que perpassa o cotidiano das comunidades Guarani-Kaiowá, vivendo em parcelas exíguas de terra, em acampamentos em beiras de estradas e em terras demarcadas que abrigam grupos de Tekohás (terra tradicional) diversos, onde sobra pouco espaço para plantação e o trabalho assalariado fora das aldeias é a condição quase exclusiva de sobrevivência. Parece haver uma relação estreita entre as ocorrências de assassinatos e as áreas de maior conflito pela terra, como são os casos Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul; Guajajara, no Maranhão; Makuxi e Wapixana, em Roraima; Maxakali, em Minas Gerais. Neste contexto, destaca-se o assassinato do cacique Marcos Veron, do povo Guarani-Kaiowá, por ocasião de um ataque violento sofrido pelo grupo que reocupava a terra indígena Taquara (MS), em janeiro de 2003.

                 Assim como assassinato de Dorvalino Rocha, também do povo Guarani-Kaiowá, que levou tiros à queima roupa de segurança contratado por fazendeiros, quando estava na porteira de uma fazenda na terra indígena Ñande Ru Maragantu (MS), da qual sua comunidade havia sido brutalmente despejada, em ação violenta da Polícia Federal, em 24 de dezembro de 2005.

fonte: relatorio-violencia-contra-povos-indigenas_2003-2005-cimi-completo.pdf

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SALVADOR CRUZ

  Salvador Cruz foi um operário nascido em Campos, Rio de Janeiro. Foi anarquista e depois comunista.