Voltou a crescer o número de assassinatos de indí genas. Em 2012 registramos 60 vítimas, contra os 51 casos ocorridos em 2011. Também cresceu o número de assassinatos em Mato Grosso do Sul, com o registro de 37 vítimas, contra os 32 casos registrados em 2011. O estado continua à frente no número de casos no país, com mais de 60% das ocorrências. A grande maioria das mortes ocorreu entre indígenas do povo Guarani-Kaiowá, com 34 pessoas assassinadas. Também houve mortes entre os povos Terena (2) e Guarani Nhandeva (1). Ganhou repercussão nacional e internacional, o assassi nato do indígena Adenilson Munduruku. Usando o pretexto de cumprimento de ordem judicial que determinava a destruição de dragas de garimpos no Rio Teles Pires e de pontos ilegais de mineração, o delegado Antonio Carlos Muriel Sanchez comandou a invasão, no dia 7 de novembro de 2012, à aldeia indígena Teles Pires, no município de Jacareacanga, estado do Pará.
De acordo com depoimentos prestados à 6ª Câmara do Ministério Público Federal, na aldeia foram realizadas todo tipo de atrocidades, como espancamentos, assassinato, tentativa de assassinato, destruição de moradias, de escola, posto de saúde, celulares, computadores, aparelho de radiofonia, embarcações de pesca, de transporte e das dragas utilizadas no garimpo. O mesmo delegado foi apontado pelos indígenas como o autor dos disparos que resultaram na morte de Adenilson. Também cresceu o número de assassinatos regis trados no estado do Maranhão, com 7 vítimas, contra as 2 ocorrências listadas em 2011. Todas as vítimas eram do povo Guajajara. Constam, ainda, assassinatos nos estados de Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.
O maior número de vítimas é do sexo masculino, com 52 pessoas, enquanto as do sexo feminino somam 8. Do total de vítimas, 12 eram menores e três eram anciãos. Os registros mostram que 15 assassinatos foram resul tado de brigas, sendo que em 10 casos houve consumo ou abuso de álcool como elemento facilitador. Foi regis trado 1 caso que sugere latrocínio. Três casos envolveram diretamente conflito fundiário. Em 28 casos, o motivo foi registrado como desconhecido ou ignorado.
Predomina o uso de armas brancas, com 25 casos. Registraram-se 16 assassinatos com armas de fogo e 8 casos de espancamento. Os três casos envolvendo conflitos fundiários foram registrados em Rondônia, junto ao povo Kaxarari, e no Maranhão, no povo Guajajara. Francisco da Conceição Souza, liderança Guajajara, vinha fazendo denúncias contra invasores da Terra Indígena Bacurizinho. Francisco foi assassinado por dois pistoleiros. Nos últimos 10 anos, os levantamentos do Cimi mostram que pelo menos 563 indígenas foram assassinados no país. Uma média anual de 56,3 indígenas. Como nos anos anteriores, Mato Grosso do Sul se destaca com 60% das ocorrências em 2012, e com 55% das ocorrências nos últimos 10 anos, totalizando, pelos levantamentos do Cimi, 317 vítimas naquele estado. Os dados apresentados pelo Ministério da Saúde (DIASEI/DSEI), referentes a homicídios em Mato Grosso do Sul, são ainda mais assustadores. Os números do ministério indicam que ocorreram 43 assassinatos de indígenas no ano de 2012, enquanto o Cimi teve acesso a informações que apontam para 37 vítimas.
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