Em 2013 registramos 53 vítimas de assassinato. O Mato Grosso do Sul continuou em evidência com o registro de 33 casos. O estado continua à frente no número de casos, no país com 62%. As mortes ocorreram entre indígenas do povo Guarani-Kaiowá, com 31 ocorrências, e do povo Terena, com 2 casos. Causou grande comoção o assassinato de Adenilson Barbosa, do povo Guarani-Kaiowá, ocorrido em 17 de feve reiro de 2013.
Depois de morto com um tiro na cabeça, o adolescente de 15 anos teve seu corpo abandonado numa estrada vicinal. Segundo testemunhas, no dia anterior, Adenilson e outros dois indígenas saíram para pescar num açude quando foram abordados por pistoleiros ligados a um fazendeiro. Os homens atiraram contra os indígenas, que saíram em fuga do local. Dois conseguiram se esconder, mas Adenilson ficou preso em uma cerca, foi agredido a coronhadas e alvejado. Depois de se livrar do corpo, o fazendeiro se apresentou à polícia, confessou o crime e foi liberado. Em maio, também no Mato Grosso do Sul, uma ação desastrosa das forças policiais resultou na morte de Oziel Terena. O assassinato ocorreu durante o cumprimento de uma ação de reintegração de posse da fazenda Buriti, no município de Sidrolândia.
Segundo os indígenas, o tiro partiu de um grupo de policiais federais que atuavam na ação. O inquérito que apurou a morte concluiu apenas que não era possível determinar de onde partiu o tiro ou quem teria sido o autor do disparo, visto que a cápsula não teria sido encontrada. O número maior de vítimas é do sexo masculino, com 43 pessoas, enquanto as do sexo feminino somaram 6. Em quatro casos, envolvendo um adolescente, duas crianças e um bebê, o sexo não foi determinado. Do total de vítimas, 6 eram menores, e 3 tinham mais de 55 anos. Pelo menos 15 mortes ocorreram em virtude de brigas e/ou consumo de álcool. Já 6 mortes ocorreram em virtude de conflitos fundiários. Predomina o uso de armas brancas, com 20 casos; as armas de fogo foram usadas em 7 ocorrências. Os casos envolvendo conflitos fundiários foram regis trados no Mato Grosso do Sul, Pará e na Bahia. Como nos anos anteriores, o Mato Grosso do Sul se destaca, desta vez com 62% das ocorrências, e com 55% das ocorrências nos últimos onze anos, totalizando, pelos levantamentos do Cimi, 349 vítimas naquele estado. Este total de 349 casos de assassinatos no Mato Grosso do Sul, no período de 2003 a 2013, está inserido num universo populacional de 72 mil pessoas. No entanto, se levarmos em conta que a maioria destes homicídios ocorreu entre os Guarani-Kaiowá, com população aproximada de 40 mil pessoas, temos uma proporcionalidade assustadora. No Mato Grosso do Sul, a média dos últimos onze anos é de 31 assassinatos anualmente, para uma população de 72 mil pessoas. Já no Brasil, a média registrada pelo IBGE é de 25 para cada 100 mil habitantes. Se somarmos aos assassinatos outras mortes, como os suicídios e a morta lidade infantil, temos um quadro ainda mais assustador e chocante.
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