Com base na Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) requereu da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) os dados relativos aos assassinatos de indígenas ocorridos em todo o país durante o ano de 2018. Os dados fornecidos pela Sesai, bem como as consultas às secretarias estaduais de saúde dos estados da Bahia, do Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná e Roraima, permitem identificar 135 óbitos por agressões. O quadro abaixo mostra o número de assassinatos registrados pelos órgãos citados, divididos por estados.
Os dados acima não permitem análises mais aprofundadas, visto que não trazem informações quanto à faixa etária das vítimas, ao povo ao qual pertencem ou às circunstâncias dos assassinatos. De qualquer modo, chamam atenção os elevados números de óbitos ocorridos nos estados de Roraima (62) e Mato Grosso do Sul (38). Ressaltamos que a própria Sesai informa que estes dados são “preliminares”, e haviam sido sistematizados até o dia 30 de setembro de 2018. As secreta rias de saúde também informam que os dados estão sujeitos a alterações. Desse modo, é perfeitamente válido considerar que a possibilidade dos casos de assassinatos de indígenas por agressão serem maiores seja bastante provável. Foto: Erisvan Guajajara-Amazônia Real Apesar da reconhecida subnotificação dos registros, houve um aumento no número indígenas assassinados em 2018, comparado com o ano anterior Dados coletados pelo Cimi O Cimi registrou 50 vítimas de assassinato em 2018.
Estas ocorrências foram registradas nos estados do Acre (3), Alagoas (1), Amazonas (4), Bahia (3), Maranhão (1), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (13), Minas Gerais (1), Pará (3), Paraná (3), Rio Grande do Sul (1), Roraima (5), Santa Catarina (6) e Tocantins (4). Os casos aqui apresentados foram levantados a partir de informações das equipes que atuam nos Regionais do Cimi e em veículos de comunicação. Seis vítimas eram do sexo feminino e entre as vítimas do sexo masculino houve um menino de 9 anos. As idades dos homens variaram entre 15 e 61 anos, em grupos que indicam 18 vítimas entre 15 e 29 anos, outras 16 entre 34 e 45 anos e 7 vítimas entre 48 e 61 anos. Estes dados indicam que os jovens são especialmente atingidos por essas ocorrências violentas. Se considerarmos que o grupo etário entre 19 e 45 anos são os adultos, somando 32 óbitos, poderá haver um certo prejuízo na composição da força de trabalho para algumas comunidades. Dentre os motivos das agressões há um feminicídio declarado, em que o marido confessou que matou a mulher a pauladas por ciúme, e outro em que o marido matou a esposa a golpes de facão, na frente da filha de dois anos. Houve o registro de nove casos de brigas, com ou sem álcool e drogas, roubo e delírio. A maior parte dos assassinatos apresenta motivos ignorados e desconhecidos. Uma grande parte foi cometida com armas brancas, paus, pedras e espancamentos. Nove foram cometidos por armas de fogo, envolvendo poli ciais, pessoas desconhecidas e vitimando algumas lideranças indígenas.
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