Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas
no Brasil. Mantendo o padrão dos anos anteriores, os
estados que registraram maior número de casos foram
novamente Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do
Sul (37). A maioria dos assassinatos vitimou indígenas do sexo
masculino (194). 64 vítimas eram do sexo feminino. Cerca de
um quarto dos assassinatos (70) vitimaram indígenas de até
19 anos. A maioria das vítimas (52,7%) tinha menos de 30
anos de idade.
As informações oficiais foram obtidas junto à Secretaria
Especial de Saúde Indígena (Sesai), a secretarias estaduais de
saúde e ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM),
por meio de pedidos realizados via Lei de Acesso à Informação
(LAI) e de consultas a bases de dados públicas disponibilizadas
pelos órgãos.
É importante ressaltar que os dados sobre mortalidade
obtidos junto a órgãos públicos são parciais e continuam
sendo atualizados ao longo do ano, podendo sofrer altera
ções à medida que as bases de informação são alimentadas.
Por essa razão, o Cimi coteja as diferentes fontes e inclui as
informações mais atualizadas disponíveis para cada estado.
Além das diferenças devidas à defasagem das bases
de dados, há também diferenças de abrangência entre as
fontes. As informações fornecidas pela Sesai e obtidas pelo
Cimi via LAI restringem-se aos óbitos registrados junto às
comunidades e povos assistidos pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) da secretaria. O SIM e as secre
tarias estaduais, por sua vez, incluem, além das informações
da Sesai, dados de indígenas que podem não estar abrangidos
pelo atendimento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
(SasiSUS).
Como as especificações acerca do povo, território ou
comunidade a que pertenciam as vítimas não são fornecidas
e este campo sequer existe nos dados disponibilizados pelas
secretarias e pelo SIM, não é possível fornecer detalhes e
análises mais aprofundadas sobre as informações obtidas.
Devido à impossibilidade de obter informações deta
lhadas a partir das bases de dados públicas, o Cimi mantém,
também, um levantamento próprio de casos de assassinato. Os
números totais são bem menores, mas apresentam um retrato
do contexto e das situações em que indígenas foram vítimas
de assassinato no Brasil.
As informações reunidas pelas equipes missionárias do
Cimi em diferentes regiões do país, somadas às notícias veicu
ladas por meios de comunicação, levaram ao registro, em 2025,
63 casos que resultaram em 68 indígenas assassinados.
Esses
homicídios ocorreram nos estados do Acre (3), Alagoas (1),
Amazonas (5), Bahia (10), Maranhão (4), Mato Grosso (3), Mato
Grosso do Sul (16), Paraná (5), Pernambuco (1), Rio Grande do
Sul (5), Roraima (3) Santa Catarina (1) e Tocantins (2).
Em 22 dos 63 casos registrados, foram utilizadas armas
de fogo, enquanto em 29 ocorrências houve o emprego de
armas brancas, revelando um cenário marcado pela recorrência
de instrumentos letais e pelo agravamento das violências
praticadas contra indígenas.
Três casos ocorreram em territórios que foram marcados,
em 2025, pelo acirramento dos conflitos fundiários – e pela
omissão do Estado em garantir aos povos indígenas a posse
de suas terras tradicionalmente ocupadas.
Em Porto Seguro (BA), na Terra Indígena (TI) Barra
Velha do Monte Pascoal, o Pataxó Vitor Braz foi morto a tiros
na noite do dia 10 de março. Cerca de 300 lideranças indígenas
dos povos Pataxó e Tupinambá encontravam-se em Brasília
e participariam, no dia seguinte, de uma audiência pública
voltada a discutir, justamente, soluções para garantir a demar
cação de suas terras no sul e extremo sul da Bahia. Em nota, o
Conselho de Caciques Pataxó (Conpaca) denunciou que Vitor
foi “cruelmente assassinado por pistoleiros em um ataque
orquestrado por fazendeiros”.
Menos de um mês depois, na TI Comexatibá, que faz
limite com a TI Barra Velha – e, como ela, aguarda a conclusão
do processo demarcatório –, João Celestino Lima Filho, lide
rança Pataxó de 50 anos, morreu depois de ser atingido por
disparos de arma de fogo numa retomada.
No Mato Grosso do Sul, em novembro, o Guarani Kaiowá
Vicente Fernandes foi morto com um disparo na cabeça,
efetuado durante um ataque de pistoleiros contra uma reto
mada realizada por indígenas do tekoha Pyelito Kue, localizado
na TI Iguatemipegua I. Trata-se de mais uma morte ocasionada
pela demora do Estado em concluir o processo demarcatório
de uma terra já oficialmente delimitada e reconhecida como
de ocupação tradicional indígena.
Em Guaíra (PR), no Tekoha Guasu Guavirá, o jovem
Everton Lopes Rodrigues, de 21 anos, foi encontrado morto
em uma área rural próxima à aldeia Yvyju Avary. O Avá-Gua
rani foi localizado decapitado, e ao lado do corpo havia uma
carta com ameaças direcionadas aos indígenas da comuni
dade, incluindo crianças. O caso ocorreu em meio a um longo
contexto violência contra o povo Avá-Guarani na área de
retomada.
No mesmo território, outro caso, marcado por misoginia
e racismo, provocou enorme comoção. Jessicléia Martins,
jovem Avá-Guarani de 17 anos, foi morta a facadas dentro de
sua casa por um homem que, segundo testemunhas, vinha
assediando a jovem durante meses. Ela recusava qualquer
tipo de relacionamento, o que teria motivado o feminicídio.
Em Arame (MA) nas proximidades da aldeia Capim
Queimado, a mulher trans indígena Rubi, do povo Tenetehar/
Guajajara, foi encontrada morta às margens da MA-006, em
uma estrada vicinal próxima ao município. A vítima apresen
tava lesões provocadas por arma branca. Segundo as inves
tigações, antes do assassinato, ela teria sido ameaçada por
suspeitos que posteriormente foram presos.
No Pernambuco, o indígena Adeval Ferreira Leite foi
vítima de estupro e assassinato após ser atacado por dois
homens em um sítio da região de Pesqueira. A vítima foi
violentamente agredida e chegou a ser socorrida, mas morreu
três dias depois em decorrência dos ferimentos. Antes de
falecer, Adeval conseguiu relatar detalhes da agressão e iden
tificar os responsáveis pelo crime.
Em Erebango (RS), na TI Ventarra, um indígena morreu
após ser atingido por disparo de arma de fogo durante um
conflito envolvendo a disputa pelo cacicado da comunidade.
O ataque foi um dos muitos conflitos violentos que ocorrem
na região em função do arrendamento de terras.
Adelino Butore
Adenilson Vasquez
Adeval Ferreira Leite. Espancado e estuprado. Pesqueira-PE. 16-08-2025
Alcione de Sousa Guajajara
Anderson Gomes Lopes Machado
Arleison do Nascimento Sodré
Célio Santana Neves
Clanderson Vilhalva Arce
Claudio Guarani
Deusiana Ventura Guajajara
Domingos Braz de Jesus
Edi Rodrigues de Oliveira
Eduardo Junior Ferreira Lima
Eurides Monteiro Nascimento Carmo
Everton Lopes Rodrigues
Ezequiel Benites
Fabiana Amarilha
Francisco Paiva Kulina
Gabriel Amaral de Lima Sales
Gelson Nascimento
Gil do Monteiro dos Santos
Harenaki Javaé
Itaci Ianomami
Itarauí Santana de Souza
Jaqueline Silva Marinho
Jessicleia Martins.
João Celestino Lima Filho
Juliana Dominguez
Juliano Mirando de Oliveira
Julio Rafael Ramos Nava
Junior Concianza Severino
Kari Kulina
Kelve Zoromara
Líria Batista
Lúcio Ximenes
Marcelo Ortiz
Marines Penan Corumbá
Matheus Nunes da Silva
Miyela Perez Cardona
M.A. Guajajara
Oércio Hara
Osmar Sales
Rayna Kulina
Rosimar Santos Oliveira Baré
Rubi Rodrigues Guajajara
Sonia Ferreira Karajá
Tarzan Maxacali
Uazubi Chagas Kulina
Vanderson Munduruku
Vicente Fernandes Vilhalva
Vitor Braz
Wanderson Pataxó
Yerffersson de Jesus Montilla Matos
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