sábado, 5 de setembro de 2026

ASSASSINATOS DE INDÍGENAS (2025) - CIMI

         


Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas no Brasil. Mantendo o padrão dos anos anteriores, os estados que registraram maior número de casos foram novamente Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37). A maioria dos assassinatos vitimou indígenas do sexo masculino (194). 64 vítimas eram do sexo feminino. Cerca de um quarto dos assassinatos (70) vitimaram indígenas de até 19 anos. A maioria das vítimas (52,7%) tinha menos de 30 anos de idade. 
        As informações oficiais foram obtidas junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a secretarias estaduais de saúde e ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), por meio de pedidos realizados via Lei de Acesso à Informação (LAI) e de consultas a bases de dados públicas disponibilizadas pelos órgãos. É importante ressaltar que os dados sobre mortalidade obtidos junto a órgãos públicos são parciais e continuam sendo atualizados ao longo do ano, podendo sofrer altera ções à medida que as bases de informação são alimentadas. 
     Por essa razão, o Cimi coteja as diferentes fontes e inclui as informações mais atualizadas disponíveis para cada estado. Além das diferenças devidas à defasagem das bases de dados, há também diferenças de abrangência entre as fontes. As informações fornecidas pela Sesai e obtidas pelo Cimi via LAI restringem-se aos óbitos registrados junto às comunidades e povos assistidos pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) da secretaria. O SIM e as secre tarias estaduais, por sua vez, incluem, além das informações da Sesai, dados de indígenas que podem não estar abrangidos pelo atendimento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). 
        Como as especificações acerca do povo, território ou comunidade a que pertenciam as vítimas não são fornecidas e este campo sequer existe nos dados disponibilizados pelas secretarias e pelo SIM, não é possível fornecer detalhes e análises mais aprofundadas sobre as informações obtidas.

            Devido à impossibilidade de obter informações deta lhadas a partir das bases de dados públicas, o Cimi mantém, também, um levantamento próprio de casos de assassinato. Os números totais são bem menores, mas apresentam um retrato do contexto e das situações em que indígenas foram vítimas de assassinato no Brasil. As informações reunidas pelas equipes missionárias do Cimi em diferentes regiões do país, somadas às notícias veicu ladas por meios de comunicação, levaram ao registro, em 2025, 63 casos que resultaram em 68 indígenas assassinados.
         Esses homicídios ocorreram nos estados do Acre (3), Alagoas (1), Amazonas (5), Bahia (10), Maranhão (4), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (16), Paraná (5), Pernambuco (1), Rio Grande do Sul (5), Roraima (3) Santa Catarina (1) e Tocantins (2). Em 22 dos 63 casos registrados, foram utilizadas armas de fogo, enquanto em 29 ocorrências houve o emprego de armas brancas, revelando um cenário marcado pela recorrência de instrumentos letais e pelo agravamento das violências praticadas contra indígenas. Três casos ocorreram em territórios que foram marcados, em 2025, pelo acirramento dos conflitos fundiários – e pela omissão do Estado em garantir aos povos indígenas a posse de suas terras tradicionalmente ocupadas. 
            Em Porto Seguro (BA), na Terra Indígena (TI) Barra Velha do Monte Pascoal, o Pataxó Vitor Braz foi morto a tiros na noite do dia 10 de março. Cerca de 300 lideranças indígenas dos povos Pataxó e Tupinambá encontravam-se em Brasília e participariam, no dia seguinte, de uma audiência pública voltada a discutir, justamente, soluções para garantir a demar cação de suas terras no sul e extremo sul da Bahia. Em nota, o Conselho de Caciques Pataxó (Conpaca) denunciou que Vitor foi “cruelmente assassinado por pistoleiros em um ataque orquestrado por fazendeiros”. Menos de um mês depois, na TI Comexatibá, que faz limite com a TI Barra Velha – e, como ela, aguarda a conclusão do processo demarcatório –, João Celestino Lima Filho, lide rança Pataxó de 50 anos, morreu depois de ser atingido por disparos de arma de fogo numa retomada. 
            No Mato Grosso do Sul, em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi morto com um disparo na cabeça, efetuado durante um ataque de pistoleiros contra uma reto mada realizada por indígenas do tekoha Pyelito Kue, localizado na TI Iguatemipegua I. Trata-se de mais uma morte ocasionada pela demora do Estado em concluir o processo demarcatório de uma terra já oficialmente delimitada e reconhecida como de ocupação tradicional indígena.
            Em Guaíra (PR), no Tekoha Guasu Guavirá, o jovem Everton Lopes Rodrigues, de 21 anos, foi encontrado morto em uma área rural próxima à aldeia Yvyju Avary. O Avá-Gua rani foi localizado decapitado, e ao lado do corpo havia uma carta com ameaças direcionadas aos indígenas da comuni dade, incluindo crianças. O caso ocorreu em meio a um longo contexto violência contra o povo Avá-Guarani na área de retomada. 
            No mesmo território, outro caso, marcado por misoginia e racismo, provocou enorme comoção. Jessicléia Martins, jovem Avá-Guarani de 17 anos, foi morta a facadas dentro de sua casa por um homem que, segundo testemunhas, vinha assediando a jovem durante meses. Ela recusava qualquer tipo de relacionamento, o que teria motivado o feminicídio. Em Arame (MA) nas proximidades da aldeia Capim Queimado, a mulher trans indígena Rubi, do povo Tenetehar/ Guajajara, foi encontrada morta às margens da MA-006, em uma estrada vicinal próxima ao município. A vítima apresen tava lesões provocadas por arma branca. Segundo as inves tigações, antes do assassinato, ela teria sido ameaçada por suspeitos que posteriormente foram presos. 
            No Pernambuco, o indígena Adeval Ferreira Leite foi vítima de estupro e assassinato após ser atacado por dois homens em um sítio da região de Pesqueira. A vítima foi violentamente agredida e chegou a ser socorrida, mas morreu três dias depois em decorrência dos ferimentos. Antes de falecer, Adeval conseguiu relatar detalhes da agressão e iden tificar os responsáveis pelo crime. Em Erebango (RS), na TI Ventarra, um indígena morreu após ser atingido por disparo de arma de fogo durante um conflito envolvendo a disputa pelo cacicado da comunidade. O ataque foi um dos muitos conflitos violentos que ocorrem na região em função do arrendamento de terras.  



Adelino Butore

Adenilson Vasquez 

 Adeval Ferreira Leite. Espancado e estuprado. Pesqueira-PE. 16-08-2025

Alcione de Sousa Guajajara

Anderson Gomes Lopes Machado

Arleison do Nascimento Sodré

Célio Santana Neves

Clanderson Vilhalva Arce

Claudio Guarani

Deusiana Ventura Guajajara

Domingos Braz de Jesus

Edi Rodrigues de Oliveira

Eduardo Junior Ferreira Lima

Eurides Monteiro Nascimento Carmo

Everton Lopes Rodrigues

Ezequiel Benites

Fabiana Amarilha

Francisco Paiva Kulina

Gabriel Amaral de Lima Sales

Gelson Nascimento

Gil do Monteiro dos Santos

Harenaki Javaé

Itaci Ianomami

Itarauí Santana de Souza

Jaqueline Silva Marinho

Jessicleia Martins. 

João Celestino Lima Filho

Juliana Dominguez

Juliano Mirando de Oliveira

Julio Rafael Ramos Nava

Junior Concianza Severino

Kari Kulina

Kelve Zoromara

Líria Batista

Lúcio Ximenes

Marcelo Ortiz

Marines Penan Corumbá

Matheus Nunes da Silva

Miyela Perez Cardona

M.A. Guajajara

Oércio Hara

Osmar Sales

Rayna Kulina

Rosimar Santos Oliveira Baré

Rubi Rodrigues Guajajara

Sonia Ferreira Karajá

Tarzan Maxacali

Uazubi Chagas Kulina

Vanderson Munduruku

Vicente Fernandes Vilhalva 

Vitor Braz

Wanderson Pataxó

Yerffersson de Jesus Montilla Matos


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SALVADOR CRUZ

  Salvador Cruz foi um operário nascido em Campos, Rio de Janeiro. Foi anarquista e depois comunista.